Mais uma tarde de terça-feira tóxica, mais uma baforada vinda de seu cigarro velho e uma última olhada pela janela pintada com tinta azul… Já descascando.
A maderia marcada pela vida de muitas histórias e poucas emoções não a comoviam.
O céu que mesclava um cinza e azul claro tentava fazer com que os olhos daquele corpo, quase oco, desse uma resposta à aquela pergunta que sempre permeava em sua mente, mas não se lembrava das forma das letras para conseguir recitá-la…
Lembrava-se apenas do… “Por que…?”
Odiava o início… Achava que não soava bem. Aquela junção de palavras banais lhe davam sono. Como prosseguir algo se ele está com a raiz podre…
Se negava e… mais uma vez… se negava.
Havia um homem em frente a janela que a divertia. Ele apenas olhava para a esquerda e para a direita. Parecia uma pintura animada com todas aquelas rugas. Sabia como tinham sido pinceladas de tanto observar.
Ela estava a sua frente e ele não a via. Talvez sua silhueta e pele branca se confundiam com os desenhos da cortinha. Parecia uma noiva abandonada ao parque à espera de seu marido.
À espera…
A brasa do cigarro queimou o dedo. Ela acordou de seu delírio e se viu novamente em seu quarto… Tradução rústica de sua vida jovem.
Ela fecha a janela e segue tentando lembrar da pergunta…
“Por que…?”
Orla Whelan, “Reading”
http://www.orlawhelan.com/