Ela, sempre.

24 03 2010

“Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível ― sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é vida. Ou neve, que é muda, mas deixa rastro ― tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve”.

Clarice Lispector





28.01.2010 – RIP J.D. Salinger

29 01 2010
“Mais ou menos prometi a Muriel, hoje à noite, na estação que vou procurar um pscicanalista um dia desses. Sims me disse que o sujeito aqui do Fort é muito bom. É óbvio que ele e a sra. Fedder bateram uns papinhos sobre o assunto. Por que isso não me chateia? Parece engraçado. Sei lá por quê, me enternece. Sempre me senti remotamente atraído até pelas sogras caricatas das histórias em quadrinhos. Seja como for, não tenho nada a perder se consultar um analista. Se fizer isso no Exército, sairá de graça. A Muriel me ama, mas nunca se sentirá realmente próxima de mim, familiar comigo, frívola comigo, até que eu seja ligeiramente recauchutado. (…) Ah, meu Deus, se há algum termo clínico que me sirva, sou uma espécie de paranóico ao contrário. Suspeito que as pessoas estejam sempre conspirando para me fazer feliz” Pg 67
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Diário de Seymour em ” Carpinteiros levantem bem alto a cumeeira & Seymour Uma apresentação” de J.D Salinger




Vain Combat

7 12 2009





I am I am I am – Sylvia Plath

17 08 2009

i am i am





L´amant – Marguerite Duras – 1984

16 08 2009

(…) Chaque fois qu´ils sont ensemble vus par moi je crois ne plus jamais pouvoir en supporter la vue. Mon amant est nié dans justement son corp faible, dans cette faiblesse qui me transporte de jouissance. Il devient devant mon frère un scandale inavouable, une raison d´avoir honte qu´il faut cacher. Je ne peux pas lutter contre ces ordres muets de mon frère. Je le peux quand il s´agit de mon petit frère. Quand il s´agit de mon amant je ne peux rien contre moi-même. D´en parler maintenant me fait retrouver l´hypocrisie du visage, de l´air distrait de quelqu´un qui regarde ailleurs, qui autre chose à penser mais qui néanmoins, dans les mâchoires légèrement serrées on le voit, est exaspéré et souffre d´avoir à supporter ça, cette indignité,(…)  Autour du souvenir la clarté livide de la nuit du chasseur. Ça fait un son strident d´alerte, de cri d´enfant.” Pg 67








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